14 de junho de 2012

fica o que se quis.


Nesse momento da vida, 
todos desejos voltados para uma garrafa de uísque. 
Um copo diário, acompanhado do bom jazz do vizinho.
Aquela dose única que amenizará qualquer desconfiança na vida. 
Dose extra pra maldita incerteza "do onde isso tudo vai dar".
Uma pedra de gelo, um canto do sofá,  pernas cruzadas.
Combinação perfeita e longe de charme: 
melhor defesa contra frases bem sacadas. 
Meu coração aperta enquanto meu útero vibra.
Noutro momento, aceitei o psiquiatra. 
Desejei ir além de sexo e do papel de mãe do outro.
Ah! Uma garrafa de uísque pra esquecer o empréstimo no banco!
E todo esse conhecimento obrigatório comum e deprimente...
Morte psíquica.
Larguei os psicotrópicos.
Aceitei o emprego do outro lado da cidade pra quitar dívidas.
Quis um amor.
Namoro e outras conquistas
Mas enquanto houver dívidas... 
Aprenderemos: conta pra pagar, é saber um pouco menos um do outro.
Ou de si mesmo...
E te amo não é sinônimo de te banco.
Seguimos rachando despesas, deixando pro amanhã.
Haja romantismo!
Desejo infernal de não seguir o 'assim caminha a humanidade'.
Embora meus hormônios gritem e caminhem para isso...
Sofro de mim mesma.
Dias desses, pensei até em quebrar o cartão de crédito.
Impulso simbólico de não investir em mais nada a longo prazo...
Logo, pensei em parcelar uma garrafa de um uísque gringo e mantive o cartão intacto.
Logo, conclui que preciso (e talvez todos precisem) é investir numa boa companhia. 
Aquele entorpecente exato do dia ruim, a segurança do momento de loucura, o refúgio. 
Pois uma hora, toda essa bobagem acaba.
A dívida quita, a garrafa acaba e o que fica... 
Aquele que tanto se quis...

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