4 de abril de 2011

"tudo de tempo e vento"

"Eu já tive e perdi
uma casa, 
um jardim, 
uma soleira, 
uma porta, 
um caixão de janela com um perfil.
Eu sabia uma modinha e não sei mais.
Quando a vida dá folga, pego a querer
a soleira, 
o portal, 
o jardim mais a casa, 
o caixão de janela e aquele rosto de banda.
Tudo impossível, 
tudo de outro dono,
tudo de tempo e vento.
Então me dá choro, horas e horas, 
o coração amolecido como um figo na calda."


                                                               Chorinho Doce de Adélia Prado


*ao amor em brechas desapercebidas.

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